TRADIÇÃO E A MODERNINDADE -1
Se é citadino, se, de quando em quando, ciranda por estes «trilhos serranos» se ainda não se cansou do uivo solitário deste lobo ibérico em vias de extinção, suba cedinho ao topo da serra do Montemuro e verá levantar-se, lá para os lados da serra da Nave, o Sol num resplendor de cor, de energia e de vida.
E quando esse braseiro de Vulcano tomar altura a iluminar o mundo verá também as velhas muralhas, verá o que resta do Muro que, implantado neste Monte, não se sabe desde quando, deu o nome à serra: monte do muro, mais tarde, Montemuro.
«É FRAQUEZA DESISTIR DE COUSA COMEÇADA»
Luís Camões
Na saga da preservação das fontes e águas públicas perdidas entre silvedos e barrocais, à semelhança da Fonte de Nossa Senhora, no Alto da Lapa, e também a Fonte da Lavandeira, de que já falei em artigos anteriores e vídeos colocados no Youtube, começo esta crónica com as mesma palavras que escrevi sobre a Coluna Secular e o Cruzeiro de Alminhas, à entrada da Sobreira, palavras que levaram à alteração da obra feita e, com isso, à salvaguarda do nosso património material e imaterial histórico. Assim:
Acabei de ler um texto no Facebook cujo autor se lamentava de haver gente que só se lembra dos Bombeiros como da Santa Bárbara: dos Bombeiros quando há fogo e da Santa Bárbara quando troveja. Esse texto não deixou de «bulir» comigo e levou-me a transcrever para aqui parte do capítulo «NA HORA DO RESCLADO» do meu livro «Castro Daire, Os Nossos Bombeiros, A Nossa Música», editado em 2005. Isto para que o autor do texto, escrito num momento muito dramático para as corporações dos soldados da paz, saiba que há quem se lembre dos BOMBEIROS não apenas nos momentos de aflição, pois (em Castro Daire) também há quem tenha consumido anos a estudá-los e a oferecer-lhes «grátis» uma obra que, como foi notório e público na imprensa local, em vez de ser lida, e acarinhada pouco faltou para acabar numa fogueira. Mas isso é «fogos» de outros tempos. Ora façam o favor de ler e calculem as horas, dias e anos dedicados à investigação de uma obra de 500 páginas, assim rematada:
A COERÊNCIA
1 - Em tempo de campanha eleitoral convém ter memória, para lembrar aos candidatos aquilo de que falaram, do que prometeram, do que cumpriram e não cumpriram. E quando memória se não tem, não há outro remédio senão recorrer-se a documentos, artigos e crónicas publicadas ao tempo e assim sermos fieis às ideias e aos factos que se prestam a comentar quatro anos depois. Dito isto, à semelhança do que já fiz trazendo a terreiro a serra do Montemuro como bandeira turística partidária de todos os partidos concorrentes às cadeiras municipais, hoje transcrevo do meu velho site para este novo (actual e activo) parte da minha primeira crónica que teve por assunto principal o PROGRAMA do MIC, que no acto da sua apresentação, no Largo do Coreto, cujo apresentador sintetizou os seus objectivos colocados a seguir entre aspas.
DEBATES ENTRE CANDIDATOS
1-1 - O PRIMEIRO DEBATE
Estive a ouvir com atenção o debate entre o candidato do CDS-PP e do PSD que teve lugar na Rádio Limite, hoje, com início às 19 horas. Felicito o moderador e os candidatos pela forma cordata e civilizada como eles apresentaram as suas ideias para o concelho. Prestei especial atenção ao capítulo da CULTURA e ambos falaram do Grupo de Teatro do Montemuro e, quanto baste, dos grupos folclóricos e das bandas filarmónicas que existem no Município. E por se ficarem por aí, lembrei-me de transcrever algumas palavras que o Presidente da Câmara de Castro Verde (Alentejo) escreveu no editorial de "O Campaniço", o Boletim Municipal daquele concelho, que me é remetido sempre que sai. Assim diz ele: «temos um município que não confunde formação, cultura e educação com foguetório, apitos e flautas».
Claro, que eu penso como ele. A formação, a CULTURA e a educação, não se podem confundir com «FOGUETÓRIO, APITOS E FLAUTAS». Transcrevo estas palavras pois elas vem mesmo a calhar para mostrar o conceito de CULTURA que os dois candidatos apresentaram. Só para reflectirem.
Nota: este texto foi colocado nas páginas do CDS-PP e do PSD, (dos dois candidatos em presença) logo após o término da primeira parte do debate.
DEBATE NA RÁDIO LIMITE
1 - CULTURA
Estive a ouvir com atenção o debate entre o candidato do CDS-PP e do PSD que teve lugar na Rádio Limite, hoje, com início às 19 horas. Felicito o moderador e os candidatos pela forma cordata e civilizada como eles apresentaram as suas ideias para o concelho. Prestei especial atenção ao capítulo da CULTURA e ambos falaram do Grupo de teatro do Montemuro e, quanto baste, dos grupos folclóricos, das bandas filarmónicas que existem no Município. E por se ficarem por aí lembrei-me de transcrever algumas palavras que o Presidente da Câmara de Castro Verde (Alentejo) escreveu no editorial de «O Campaniço», o Boletim Municipal daquele concelho, que me é remetido sempre que sai. Assim diz ele: «temos um município que não confunde formação, cultura e educação com foguetório, apitos e flautas».
Creio ser de inteira justiça repor aqui, na integra, o texto que, em 1997, publiquei no «Notícias de Castro Daire», referente ao bate-chapas, Victor Amando Monteiro dos Santos, vulgarmente conhecido por ZAPA, agora falecido e cujo óbito referi no meu «estado» do facebook, no dia 17 do corrente. Às vezes marginalizado, senão mimosedado com dichotes devido às suas excentricidades, é em memória dele que o faço e também para divulgação do fabuloso poema que ele recitou, servindo-se do martelo e do tais como instrumentos musicais a marcar ritmo do trabalho e da recitação. Assim:
Neste ano de 2013, ano de eleições autárquicas, reportando-me ao entrecruzar de objectivos programáticos dos vários partidos concorrentes às cadeiras dos órgãos municipais e de freguesia, em 8 de Agosto do corrente ano, escrevi o seguinte na minha página do Facebook, com remissão para o meu site:
«(…) como as intenções e objectivos genéricos expressos nos programas se entrecruzam e misturam, à semelhança dos elementos que integram as listas do PSD, do CDS, do PS (em eleições passadas e presentes), seria bom que se aclarassem ideias e valores, já que os partidos políticos, em geral, e em Castro Daire, em particular, deixaram, há muito, de serem instituições agremiadoras de pessoas identificadas com o mesmo ideário político e social, para serem unicamente trampolins de pessoas que deles se servem para atingir os seus fins e interesses pessoais. Depois queixam-se da Democracia Representativa chegar ao que chegou e do descrédito dos políticos».
Há uns anos, por força de integrar uma Associação Recreativa e Cultural concelhia, fui convidado a participar num jantar de aniversário, tal como ouros sócios. Entre eles estavam dois amigos que comigo se sentaram à mesma mesa. Comemoração bem comida e bem regada, nesta, como em todas as festas, os convidados, barriga cheia, vão desaparecendo sorrateiramente e com eles se vai o alarido do convívio, dos odores e efeitos etílicos que preencheram a sala. Eu e os meus dois amigos, ficámos. E notei que, à medida que passava tempo e o tinto mudava de vasilha, aumentava a alegria e a eloquência. Eu destoava claramente do trio. Eles bebiam e falavam e eu somente ouvia. A conversa entre eles variava de assunto para o outro com a rapidez com que uma borboleta se move de flor em flor, resultando daí que muitas dessas conversas não tivessem sentido, nem conclusão. O que não era para admirar!
PERGUNTAR NÃO OFENDE
1 - Tenho lido os textos produzidos pelas candidaturas dos pretendentes às cadeiras do Município. Mas, por razões óbvias, tenho-me focado mais nas palavras de Luís Alberto da Costa Pinto (também conhecido por Aveleira) publicados no desdobrável que me foi metido na caixa do correio e no jornal «Notícias de Castro Daire». Tenho feito isso pela simples razão de, não obstante ele ter sido presidente da Junta da Freguesia de Pinheiro, há uns anos atrás, ter agora emergido nas hostes do partido da chaminé (PSD), que só nas últimas eleições autárquicas, depois de muitos anos à frente do Município, com o Dr. César da Costa Santos, o senhor João Matias e a Engª Eulália Teixeira, à cabeça, viu fugir-lhe o poder para Fernando Carneiro, cabeça da lista do PS.
FONTE DA NOSSA SENHORA – OUTEIRO DA LAPA
No meu livro «Lendas de Cá, Coisas do Além» editado em 2004, escrevi, entre outras, a «Lenda da Nossa Senhora» e refiro o penedo a que ela se ligava, sito no outeiro do alto da Lapa, entre Lamelas e Vila Pouca. Publiquei nesse livro uma foto tirada em 1999, aquela que também aqui publico hoje (foto 1), onde vemos a água a esguichar do penedo, terreno baldio, não muito distante da EN2. Chega-se lá, ainda hoje, a partir desta estrada, por um caminho rural perdido entre pinheiros, silvedos, giestas e mais abundante vegetação natural.
O penedo original com as «covinhas» e as marcas das ferraduras do burrinho (ver vídeo alojado no Youtube com o título «Penedo de NSenhora» em Lamelas) desapareceram.
Foi dinamitado nos anos sessenta do século XX e, em 1999, apresentava ainda o aspecto que mostra esta foto de que sou autor. Mais uns anos passados e a autarquia, a fim de melhor explorar a água como suplemento ao abastecimento domiciliário de Vila Pouca, procedeu à necessária captação e canalização, desde a nascente até ao destino.
Foi aproveitamento de pouca dura. A água foi abandonada e não tardou que os matagais do outeiro, hoje sem a pastorícia de outrora, tudo engolissem, fazendo desaparecer, temporariamente, as obras e a lenda, com as águas a correrem nos canos subterrâneos ou em céu aberto, até se perderem na valeta da EN2.
DE CABO A RABO
Num tempo em que as palavras perdem sentido na boca dos políticos e de alguns eruditos facebookianos, lembrei-me, vejam só, de dois diálogos ocorridos numa loja de ferramentas agrícolas, entre vendedor e clientes.
1 - A GADANHA
Um desses diálogos ocorreu em torno do cabo de uma ganhanha de segar feno, das antigas, cabo de madeira que terminava em bisel, onde a gadanha se lhe unia por meio de um aro metálico mais uma cunha de madeira. Dizia uma senhora, na sua condição de mulher sozinha em casa:
- Compro-lhe este, é jeitosinho, tem um perno à medida de minha mão, mas tem de ir a minha casa encabá-la, que eu sozinha nãofaço isso.
- Está bem, onde é que mora? Eu vou lá encabá-la, mas só o faço a si, pois já viu o que seria de mim, se fosse atender todas as clientes que me pedissem para ir a sua casa encabá-la?
- É um grande favor e só lhe peço isso porque o meu marido está na França, pois se cá estivesse quem a encabava era ele.
2 - A ENXADA
Um outro cliente regateava o preço de uma enxada e, mirando-a daqui e dali, a largura da pá, a medida do olho, qualidade do aço, acabou por dizer ao comerciante:
- Eu levo a enxada por esse preço, mas tem de me dar o rabo.
- Ora essa, dar-lhe o rabo, isso é que não dou.
- Pronto, se não me dá o rabo, fique lá com a enxada. Agrada-me, tem bom olho, mas para que a quero eu, se não me dá o rabo?
O cliente desandou porta fora e comerciante ficou a murmurar:
Dar-lhe o rabo, era o que faltava!
Este comerciante de ferragens e ferramentas agrícolas, com loja aberta em Castro Daire, era um homem espirituoso, sempre pronto a aproveitar e fazer piada com o que "viesse à mão" no quotidiano da vida. Daí, ter-se virado para mim e dizer-me:
- Já visto isto? Aquela mulher, com o marido em França, pediu-me para eu ir a casa dela encabá-la. Este agora, queria que eu lhe desse o rabo. Se isto continua assim, vou mas é mudar o ramo de negócio.
Não mudou, não senhores. Aposentou-se fazendo piada com os ditos, com as expressões genuínas e sãs, saídas da boca da gente simples do campo, mais preocupa em ter ferramentas boas e seguras para granjearem o pão, do que com a polissemia das palavras. Isso é para gramáticos e linguistas que, sabendo de cor todas as parónimas, antónimas e sinónimas, não sabem o que é uma gadanha, um engaço e uma enxada. Em boa verdade não sabem, nem sonham, o que é lavrar um campo de semeadura da cabo a rabo. Isso é para políticos que somam leis e mais leis a esmifrar impostos de rabo a cabo. Nisto, é tudo a eito. Comem todos.
É por tudo isso que me agrada passar a letra redonda estes dois diálogos, ocorridos numa vila rural, e mostrar a pobreza e a riqueza da língua, ora na boca dos eruditos, ora na boca dos simples.
Abílio/2013
Procedi assim impelido pela honestidade intelectual que, por caracter e formação, me impus a mim próprio. Não o fiz para ser agradável com os seus autores, pois não sou nada dado a palavras e discursos de conveniência, destituídos de verdade e autenticidade, tão ao gosto de pessoas que incham com elogios fáceis, hipócritas, sacristas, cruz alçada, desvanecidos com loas e ladainhas que anunciam à distância a procissão que passa.1 -AUTO DO VAQUEIRO
A plateia não acredita nisso, apupa-os, dá pateadas no soalho, exibe cartazes mandando-os para a rua. Face ao pateado, um deles, muito a custo, bate em retirada, reconhecendo em testamento, feito no seu juízo perfeito e "atempadamente", que não podia continuar no auto, pois não acertava uma no papel que lhe foi distribuído. Com "gag" atrás de "gag" deixou o lugar vago que foi imediatamente ocupado por alguém especialista em finanças, que não podia alegar virgindade nos contratos "swaps". Foi então que, num repente, outro dos protagonistas, sabido que se farta, habituado a contorcionismos vários, bateu com a porta, recusando-se a representar ao lado de tal figura. A triste figura. Foi o aqui d'el Rei. Era o fim da farsa.
No dia 16 do mês passado "postei" aqui, neste meu espaço, um texto sobre a CENSURA, texto que tinha publicado no mensário "Lamego Hoje" do mês de Setembro de 1987. Fi-lo por razões que respeitam ao que se vai por aí dizendo e praticando, nestes tempos, relativamente à expressão livre e responsável do pensamento.
Também já deixei neste meu espaço uma referência à urticária que me causam aqueles que, nos blogs, se refugiam no ANONIMATO para exprimirem as suas opiniões, com o receio, diz-se por aí, se serem perseguidos, caso se identificassem com os nomes próprios.
Mas já mostrei, também aqui, que começava a compreender e a ter uma certa simpatia por esse seu resguardo, uma vez que, conhecendo eles a MENTALIDADE dos que detém o poder, das duas, uma: ou recorrem ao anonimato para poderem dizer o que pensam sem receio de serem perseguidos, ou ficam calados, surdos e mudos, para não serem incomodados.
1 - Já começaram a aparecer nos lugares estratégicos da vila, nos cruzamentos das estradas e aldeias, os CARTAZES com as palavras de ordem e as fotos dos candidatos autárquicos. E também já começaram a achegar às caixas dos correios dos munícipes alguns "desdobráveis" com as "promessas" que eles dizem cumprir, caso venham a ser eleitos.
2 - Como ainda não desisti do exercício da minha cidadania, que não apenas meter o voto na urna de 4 em 4 anos, quero deixar aqui matéria para reflexão de todos os candidatos, a fim de nenhum deles poder dizer que a ignoravam. É matéria que eu já trouxe a público, quer através de escritos, quer através de vídeos colocados no Youtube, mas nunca é demais "bater em ferro frio", tanto mais que se trata de matéria de relevante interesse para o concelho. Matéria de interesse público. De que se trata?Aí vai:
PRIMEIRO
P'ra que toda a gente veja
O pinheiro de S. João
Esta velha tradição
Que se mantém em Fareja
Esta quadra, que figura, anónima, no painel de azulejos colocado na sede da Associação Recreativa e Cultural de Fareja, é da minha lavra e sintetiza uma velha tradição desta aldeia.
Ontem, dia 23 de Junho, cumpriu-se, mais uma vez, parte dela. Foi a «erguedela do pinheiro». Essa tradição está dividida em três partes, que são a) corte, derrube e transporte do pinheiro; b) descida do pinheiro velho; c) erguedela do novo. Toda ela consta no Youtube, em três vídeos que lá coloquei. Neles poderá o leitor «admirar» o volume do pinheiro e as técnicas artesanais utilizadas na tarefa.