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quarta, 12 agosto 2026 13:35

CASTRO DAIRE - FAMÍLIA AGUILAR (1)

Escrito por 

(EXTRATO DO MEU LIVRO INÉDITO COM O TÍTULO  «CASTRO DAIRE, CLERO, NOBREZA E POVO)

«(…)

E posto isto, conhecidos os nomes e as funções de alguns membros da «Família Aguilar» que, do Porto, no exercício das funções nos mais altos cargos na Magistratura, exerciam a sua influência política na administração do concelho de Castro Daire, através padre António Bizarro, seu amigo e Administrador dos os teres e haveres ligados à Casa da Praça, convém saber quem eram eles e qual a sua origem.

Tirando o documento referindo o emprazamento de terras feito 1528, preservado nos arquivos do Solar, de que fizemos referência no princípio deste trabalho, o documento mais antigo que nos dá fé da família Aguilar ligada a Castro Daire é a legenda do Brasão de Armas que fotografei no interior do solar com autorização do Senhor Antero Aguilar. Antes dele só o DIPLOMA a que aludirei mais adiante.

BRASÃO-1815

Remontemos ao ano de 1807. Aí chegados vemos que Ana Maria Pereira Bravo de Menezes, (ou Ana de Lima Pereira de Menezes)  herdeira do morgado de Castro Daire e das Santas Chagas em Braga com capela na Igreja de Santiago daquela cidade, casou, nesse ano, com José Teixeira Rebelo Cardoso de Aguilar, 

E, entrando no interior do solar, vemos que, com a data de 1815, aparece num  brasão o nome de FRANCISCO TEIXEIRA REBELO BRAVO PACHECO E AGUILAR, nada menos que o progenitor dos protagonistas de que temos vindo a falar, juizes desembargadores no Porto, pós Revolução Liberal de 1820. . Este cidadão era natural de Cedovim, Vila Nova de Foz Côa, casado com Maria Ludovina de Lemos Alvim e Carvalho, pais de uma gorda prole de 8 irmãos, a saber:

Josefa Adelaide de Lemos Teixeira de Aguilar, José Teixeira de Aguilar, António de Lemos Teixeira Pacheco de Aguilar, Maria do Carmo de Lemos Teixeira de Aguilar, Bernardo de Lemos Teixeira Pacheco de Aguilar, Ana Ludovina de Lemos Pacheco de Aguilar, Margarida de Lemos Teixeira Pacheco de Aguilar, Maria do Patrocínio de Lemos Teixeira Pacheco de Aguilar (GeneAll.net)

 A pessoa anónima autora dos apontamentos que deixou ao senhor Antero de Aguilar sobre a sua árvore genealógica, destaca os nomes de José Teixeira de Aguilar Lemos, António de Lemos Teixeira de Aguilar e Bernardo de Lemos Teixeira de Aguilar, todos eles «Pares do Reino».

Por esses apontamentos ficamos a saber que:

«O 1º seguiu a vida militar, foi capitão de engenheiros e Governador Civil de Braga; o 2º seguiu a magistratura e foi aposentado com as honras de Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça; o 3º seguiu também a Magistratura e foi igualmente Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça» (Apontamentos)

3- AguilaresFotografia0043Ora, António de Lemos Teixeira Pacheco de Aguilar, um dos cidadãos sublinhados nos apontamentos e que nós vimos acima empenhado, no ano de 1848, em obter licença do Provisor e Governador do Bispado para, todos os anos, em volta da Igreja Matriz de Castro Daire «solemnizar no próprio dia o Santíssimo Coração de Jesus com Missa solene, exposição do Sacramento, Sermão», este piedoso cidadão, dizia, casou duas vezes, a primeira com D. Leonor Maria José Baltasar do Pé da Cruz da Silva Telo e Noronha e a segunda com a sua cunhada D. Bárbara Maria do Pé da Cruz da Silva Telo e Noronha, que lhe deu dois, a saber: Francisco Teixeira de Aguilar e Noronha e José Teixeira de Aguilar e Noronha. 

O primeiro casou com Joana Augusta Pinto Ribeiro, de quem nasceu José Teixeira de Aguilar Pacheco Rebelo, que veio a casar Beatriz Aurora Peixoto que  foram pais de sete filhos entre os quais Antero Herculano Peixoto Teixeira de Aguilar, natural de Cedovim, nascido a 20-09-1905. Este casou em primeiras núpcias com Celeste de Jesus Gomes Barbosa, de quem não teve filhos e, depois de ficar viúvo, com Maria Alice Guerra Cerdeira (20.12.1919) de quem teve um filho de nome Antero Manuel Guerra Teixeira de Aguilar, nascido em 06.05.1960.(in GeneAll-net)

 ***

Dito isto, confirmadas que estão, pelas fontes citadas, as origens em Cedovim da Família Aguilar, uma carta integrada no lote de correspondência que me cedeu a D. Alice, 2ª esposa do Senhor Antero, reforça esta afirmação. Datada de 1817 e assinada simplesmente pelo apelido «Aguilar» foi dirigida ao «Sr. José Bizarro, Crasto Dairo» (sic) que presumo ser o pai do Padre Bizarro, Administrador da Casa, a quem foram dirigidas as restantes cartas que acima utilizei. Por ser o quarto documento escrito mais antigo que foi preservado nos arquivos da Casa, aqui se deixa o «fac-simile» e a respetiva transcrição.

AGUILAR-RECIBOBizarro,

Pelo corrº de Lamego com subscrito de João de Almeida que te há de chegar quinta feira a carta que escrevi, mas como pode demurar e o  Morais vai cuidar no seu cazamento te digo e repito que tenho estado muito duente com crescimentos todos os dias, os quais já me faltam, mas humas dores de costas me oprimem e mortificão muito e por isso não sei quando me porei capas de hir nestes termos. Sobre a venda de trigo e pão nada de fiado, nem hum grão. Só com dinrº à  vista, ainda que vendas por menos, fica nisto e que no corrº  diz o meu sentimento sobre o Sr. Corregedor te não  dar o ofício.

Não posso mais sou teu

Amº afetº

Aguilar

 Cedovim 26 de Abril d’ 1817».

 Estávamos no ano de 1817, dois anos depois de manufaturado o Brasão de FRANCISCO TEIXEIRA REBELO BRAVO PACHECO E AGUILAR e três anos antes de eclodir a Revolução Liberal de 1820, na qual estiveram empenhados estes Aguilares residentes no Porto e familiares mais próximos como se vê na correspondência trocada  com o Padre Bizarro, administrador do Solar, assinada pela Viscondesa de Samodães, por altura do Setembrismo.

Mas se eles eram de Cedovim, pode perguntar-se como se tornaram proprietários em Castro Daire e o  propósito de nos arquivos da casa se ter guardodo religiosamente um diploma de cercadura ilustrada, com o seguinte texto:

 «António Lopes de Carvalho Rangel, natural da vila de Castro Daire, familiar do Santo Ofício por diploma de 18.07.1711, passado pelo Bispo capelão-mor, Nuno da Cunha de Ataíde, Inquisidor Geral dos Reinos, com o fim de, com toda a diligência, consideração e segredo desempenhar o cargo. Investido nas funções por juramento nas formas do «stylo» da Santa Inquisição ET AUTHORITATE APOSTOLICA passou a gozar todos os privilégios, isenções e liberdades, concedidos pelos alvarás régios».

Este cidadão que, em 18.07.1711, foi admitido familiar do «Santo Ofício», era filho de LOURENÇO RANGEL DE CARVALHO, instituidor do morgado de Castro Daire, cuja esposa era MARIA DE LUCENA RANGEL.

O António Lopes era casado com Filipa Sousa Bravo de Meneses de cujo casamento nasceram 10 filhos entre os quais, António Lopes Bravo Pais de Menezes que, tal como o pai, foi capitão-mor de Castro Daire, cavaleiro da Ordem de Cristo e Familiar do Santo Ofício. E filha dele foi também Ana Maria Pereira Bravo de Menezes, (ou Ana de Lima Pereira de Menezes)  herdeira do morgado de Castro Daire e das Santas Chagas em Braga com capela na Igreja de Santiago daquela cidade. Senhora que em 1706 casou com José Teixeira Rebelo Cardoso de Aguilar, donde pode se conclui que os«Aguilares» se tornaram proprietários em Castro Daire, por via do casamento com a herdeira do morgado de Castro Daire instituído por LOURENÇO RANGEL DE CARVALHO e assim se justificar que no escudo esquartelado de dois Brasões de Armas da Casa, figure no 1º a vespertina encerrada em cardena crescente, ou seja, as armas dos «Carvalhos»

.AGUILAR-BRASÕES

Isto, como se vê, no século XVIII, mas neste princípio do século XXI, e também herdeiro da «Casa da Praça», nascido em Castro Daire,  é Antero Manuel Guerra Teixeira de Aguilar que, antes de ir residir para Lisboa trabalhar na PT, foi professor na Escola Secundária desta vila, onde o conheci  e lhe comuniquei o interesse que tinha em incluir o historial sua casa e família na História Local.

A leitura minuciosa dos três brasões da casa, um colocado na frontaria do solar, outro por cima da capela privativa com entrada pela rua de S. Benedito e outro pendurado no salão principal do edifício, deixo-a aos especialistas da Heráldica Portuguesa, ainda que um leigo possa destrinçar neles elementos da família dos «Carvalhos», «Machados», «Gouveias», «Pintos», «Aguilares» e «Pachecos».

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.