Depois de ver na TV aquele programa NA ESTRADA que me levou de retorno a Moçambique, lá aos rincões da cidade de Tete e terras em redondo, cheguei ao Dondo e poetei assim num poema que coloquei no meu mural do Facebook no dia 2 de janeiro de 2024.
DONDO, MOÇAMBIQUE
I
Di-la-ei mil e uma vez
Esta dor que não calo
Que não escondo
Cante galinha ou galo
Ver e ouvir em PORTUGUÊS
No Dondo
Em Moçambique
(Por longe que lá fique)
A miséria e a fome
De criança, mulher e home
Que chegou até mim
Através do programa
Da RTP 2.
“Estamos na Estrada”
Pois.
II
Pisei essas terras
Em tempo de guerras
De independência.
Bati palmas aos guerrilheiros
Aos últimos e primeiros
Toda a gente
Que na sua persistência
Lutavam tenazmente
Contra o colonialismo.
III
Venceram. Veio o socialismo
(P’ra que fique dito
No socialismo milito)
Tornaram-se pátrias as colónias
Muitos comícios, muitas cerimónias
Infindáveis discursos nas grandes cidades
Mas ali, no Dondo
A miséria, a dor e a fome
Para todas as idades…
Não. Eu não calo, eu não escondo.
I V
E ver e ouvir tudo isso em PORTUGUÊS
A língua que aprendi e ensinei
Di-lo-ei mil e uma vez
“Everwere, partout, em toda a parte”
Roubando o engenho, o verso e a arte
De Reinaldo Ferreira
Aquele que, bem sei,
Comigo respirou
E versejou em PORTUGUÊS
Os ares
Do Índico.

Abílio/02/01/2024