O proprietário e fundador do «Museu na Relva», Ilídio Bonifácio Magueja, interessado em colocar o nome da povoação no fio cronológico da História, isto é, colocar numa das paredes do Museu uma data que remontasse a tempos recuados, atestando a certidão de nascimento da povoação, depois de correr «Seca e Meca», sem encontrar resposta entre os voluntariosos conterrâneos que se entretêm com as coisas da "estória", diferentemente das coisas da HISTÓRIA, solicitou a minha colaboração, dizendo-me que, por sugestão de uma pessoa amiga empenhada, tanto quanto ele, na implantação do Museu, eu era o último recurso, dado ter conhecimento das investigações que tenho levado a efeito no concelho de Castro Daire, relacionadas com a HISTÓRIA LOCAL.. Que agradecia o meu empenho nesse sentido por forma a que, na data da inauguração, essa informação pudesse ser afixada numa das paredes.
OSSOS DO OFÍCIO
- Ainda bem que cá está. Vim aqui de propósito para saber quando tem disponibilidade para ir comigo ver um penedo com números e letras, lá arriba na serra da Lapa.
Eu estava à espera do almoço, sentado à mesa e, num repente, aparece-me o senhor Narciso, industrial de padaria (Lamelas/Castro Daire) que, passando já da meia idade, gosta de rever, a cavalo, os sítios que, na infância, calcorreou a pé, nas cercanias de Lamelas.
HISTÓRIA COM GENTE DENTRO
Em agosto de 2015, publiquei aqui, neste meu espaço, um texto ilustrado com documentos manuscritos, dando conta de um «diferendo» existente, em 1888, entre os moradores da freguesia de Monteiras e de São Joaninho, que, então incluía a povoação de Cujó.
É o texto que constitui a PRIMEIRA PARTE da crónica que se segue, à qual adicionei uma SEGUNDA PARTE, feita neste ano de 2022, por força dos elementos que fui acumulando nos meus arquivos, ao longo do tempo. Assim:
Com estes dois «desdobráveis» (acabados de sair do «prelo»), de seis faces cada um, dei por terminado o trabalho de que me incumbiu o vereador a tempo inteiro do Executivo Municipal de Castro Daire, Leonel Marques Ferreira. Fi-lo de bom gosto e «graciosamente» em benefício do conhecimento e divulgação do nosso património histórico.
As fotos que ilustram este texto são os rostos da «transumância» da Serra da Estrela para o Montemuro, em 1990. Eles são os protagonistas de uma narrativa de trabalho e sacrifício com data certa. Olhem bem as suas idades e feições!
Em 1990 era presidente da Associação Recreativa e Cultural de Fareja, Joaquim Almeida Ferreira da Silva e presidente da Assembleia Geral, vários mandatos seguidos, a pessoa que escreve e assina esta crónica. Grande parte da correspondência trocada com as entidades oficiais ligada à construção da sede saiu das teclas do meu computador.
Foi o ano em que, pela primeira vez, se filmou e gravou, em cassete VHS, a "costumeira" ligada ao Pinheiro de São João, com o objetivo de, por essa via, se dar a conhecer ao mundo, uma das nossas tradições mais falada em todo concelho, pelo volume e peso da árvore. Não é exclusivo desta aldeia, mas nas restantes onde antigamente se punha o «pau a pino» (nalgumas delas ainda hoje se faz, por e exemplo em Cujó e Relva) o protagonista não passa de um «estadulho» de amieiro, comparado com o de Fareja, sempre PINHEIRO.
FORNO DAS PIMPONAS/ CORETO
No tempo em que toda a gente (adultos e crianças) anda por aí de câmaras fotográficas e de filmar na mão, a fazer pontaria a tudo e a nada, tempo de Ipads, telemóveis, Internet e Facebook, depositório a granel de fotos que são autênticos documentos (todo o historiador e estudioso agradece tais fotos) e outras divulgando futilidades sem importância nenhuma, lembrei-me de postar aqui este texto já publicado em 2012. As fotos que o ilustram são bem a prova do que afirmo: fotos que é preciso LER e INTERPRETAR. A foto nº 1, com os protagonistas cuja razão de estarem ali explico em devido tempo, ajuda-nos a interpretar o grito das crianças a correrem pelas ruas da vila, anunciando a chegada dos rebanhos da Serra da Estrela. «aí vem o rebanho, aí vem o rebanho!» Ajuda-nos a perceber a razão por que o «povo» corria à Feira das Vacas com panelas, tachos e tachinhos, de alumínio, latão ou barro, em busca de leite. Ajuda-nos a perceber a razão por que, na década de QUARENTA do século vinte, o «povo», corria à Feira das Vacas a pedir, para comer, a ALFARROBA que o Corpo montado da Guarda Republicana trazia para alimentar os cavalos. Ajuda-nos a perceber a razão por que, quando, por esse mesmo tempo, a Legião Portuguesa fazia ajuntamento da Feira das Vacas o «povo» corria para ali, com panelas, tachos e tachinhos para levarem para casa parte do «rancho». E a pedinchice não incluia somente os mais necessitados. Até «pessoas de sociedade» para usar a terminologia dos meus informantes idónios, mandavam lá as suas «criadas»buscar «rancho». Quem se predispõe a fazer a HISTÓRIA da nossa terra, a falar do PSSADO E DO PRESENTE necessário é que se informe e fundamente primeiro. De contrário em vez de HISTÓRIA escreve «ESTÓRIA». Vende «gato por lebre». E mal informado anda quem patrocina, quem promove e quem compra essas patranhas.. E mais não digo. Mas eis o que disse em 2'012:
Fruto da minha persistente investigação e permanente contacto com pessoas que conheciam Castro Daire noutros tempos, cedidos por elas, vieram-me à mão diversos espólios documentais e fotográficos (fotos e negativos delas) de que me tenho valido para, em muitos caos, fundamentar e ilustrar alguns dos livros que dei à estampa sobre a História Local.
Podia começar assim: «no tempo em que os animais falavam...», mas não, vou começar...«no tempo em que os telefones eram de manivela» como aqueles que hoje se veem somente nos filmes antigos, a preto e branco, eu tive a profissão de montá-los, repará-los e mantê-los num estado de saúde capazes de duas pessoas poderem comunicar à distância, através de uma só linha aérea, pois a segunda linha fazia-se de «retorno pela terra». Querem saber como? Eu sei o que as tecnologias da comunicação evoluíram muito desde então e sei que estamos no tempo dos telemóveis, dos computadores, da Internet, por isso, meus amigos, se estão interessados e quiserem saber, pesquisem, pois está tudo ao vosso alcance, seus felizardos.
HISTÓRIA COM GENTE DENTRO
Colocado que fui, como professor, na Escola Preparatória de Castro Daire, no ano letivo de 1983/84, casado e com dois filhos em idade escolar, procurei não residir longe da Escola e acabei por radicar-me na aldeia de Fareja, sita 2 quilómetros a nascente da sede do concelho.
Ora, conciliando eu a docência com a investigação da HISTÓRIA LOCAL, mal ficaria não deixar neste meu apontamento alguma informação sobre o passado longínquo da terra que escolhi para morada e onde os meus filhos herdarão um pedaço de chão a que possam chamar seu quando chegar o tempo disso.
Direi assim que esta aldeia remonta aos primórdios da nacionalidade portuguesa, pois constatei que mais do que uma dúzia de testemunhas desta terra, como veremos a seguir, fizeram o seu depoimento nas Inquirições de D. Afonso III, em 1258, acerca dos caminhos e descaminhos que levavam os foros rei, fossem eles do seu tempo ou dos seus antecessores. Remetemo-nos para o texto (com a grafia atualizada) e vejamos os termos das Inquirições:
POSFÁCIO-OLHAR E VER
Dos muitos prelos cujas fotografias estão disponíveis na Internet, do prelo mais simples ao prelo mais sofisticado, do prelo restaurado e embelezado com cores douradas, ao prelo moribundo e enferrujado, do prelo que atravessou a linha do tempo intacto, tal como foi concebido pelo seu criador, presumo eu, ao prelo que se apresenta amputado, qual soldado regressado das fileiras da guerra sem alguns membros, em todos, independentemente do seu estado e aparência, eu vi centenas de obras de arte, nas vertentes funcionais, ornamentais e decorativas. Eles me transportaram não apenas ao tempo de Gutenberg, ao tempo dos enciclopedistas, do iluminismo, ao tempo da Revolução Industrial, ao império do ferro e da metalurgia, mas também à Antiguidade Clássica através dos elementos artísticos, literários e míticos que incorporam.
TETE - NÓ GÓRDIO (5)
Uma expedição daquela envergadura não se fazia sem mantimentos, sem um número significativo de carregadores, muitos deles escravos fiéis e obedientes como os cães são aos seus donos, ao contrário de outros que se a esgueiravam na primeira oportunidade, abandonando cargas e encargos. Uma expedição dessas, dizia eu, não se fazia sem guias experimentados, conhecedores dos dialetos e costumes, conhecimentos advindos, sabe-se lá como, mas, seguramente, relacionados com o livro do comércio de ouro, marfim, escravos e tudo o mais que, no comércio, relaciona terras e gentes e interesses comuns. E também soldados como já vimos acima.
TETE - NÓ GÓRDIO (1)
Prometi voltar a esta página para dar continuação à matéria histórica relacionada com Tete, matéria tratada. em 1950, por Manuel Simões Alberto, na revista «Moçambique, Documentário Trimestral, 1950, nº 63, (pp 89 a 100), cujo autor segui de perto. Disse que iria basear-me nos mesmos factos e nas mesmas personagens, mas agora, segundo o meu estilo de escrita e conhecimentos advindos de outras fontes e saberes. E que aquilo que eu escreveria teria por título «O Nó Górdio», por tal expressão ser muito conhecida pelos membros e leitores da página «Picadas de Tete"
| GRAVURAS RUPESTRES NO MONTEMURO SÃO UM EMBUSTE |
| 17-08-2007 20:55:09 |
| No meu livro «Julgamento», editado no ano 2000, e, posteriormente, em artigo de imprensa (Lamego Hoje) disse que «na serra do Montemuro, ao lado do velho e desactualizado caminho que liga a povoação de Picão à Cruz do Rossão, mais ou menos a meio do percurso, no sítio designado «Fonte da Pedra», está um complexo de penedos com «gravuras» que alguns arqueólogos, entre os quais Domingos Cruz e Raquel Vilaça, «baseando-se nos estudos de C.T. Silva, publicados nas «Actas das III Jornadas Arqueológicas (1977), vol. I», com o título «Gravuras rupestres inéditas na Beira Alta», dizem pertencer às «estações de arte rupestre».* |
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