Trilhos Serranos

FAZER HISTÓRIA

Este meu método, este meu jeito, este meu estilo de tentar “fazer história” nos meios rurais - comunidades socioculturais sem arquivos organizados, nem apego aos documentos escritos - fólios, cotas, armários, gavetas - indispensáveis colunas para sustentarem todo e qualquer edifício histórico, comunidades onde tenho gastado grande parte da vida, obrigou-me para conseguir algo, a seguir uma trajetória de sensibilização para a preservação desse nosso valioso património e, ligado que estava à imprensa - colaborador de vários jornais - fez de mim uma espécie de caixa de correio recetora de queixas comezinhas, denúncias pertinentes, informações interessantíssimas, fotografias inéditas, tudo digno de subir às colunas dos jornais e, com ressonância pública, chamar à atenção dos responsáveis políticos e culturais locais e nacionais para a defesa do nosso património material e imaterial por forma a que o FUTURO CONCELHIO não fosse destituído, de todo, da sua identidade.

PASTELARIA CHARME

Dos meus muitos quilómetros de escrita, vídeo e áudio que tenho posto no mundo, reportando-me a CASTRO DAIRE e às NOSSAS GENTES, injusto seria esquecer os estabelecimentos de porta aberta ao público que  prestam  os seus serviços à comunidade e por mim frequentados, esporádica ou frequentemente.

UMA TRAJETÓRIA DE VIDA

Diz um adágio popular que “pelo andar da carruagem se vê quem vai lá dentro”. Outro ainda: “diz-me com quem andas e eu dir-te-ei quem és”. Outro ainda: “não percas tempo com tolos e bêbados”. Outro ainda: “não gastes cera com ruim defunto”. E não tem fim a sabedoria popular posta em anexins.

SOLAR DE GRIJÓ

 Sito na aldeia de Grijó, do Gafanhão, este solar, pelos ornatos que ostenta na cantaria das suas janelas e portas, é uma peça arquitetónica do barroco rural prestes a desaparecer do mapa, dado o estado de ruínas a que chegou. Com capela privativa, esta apresenta sobre a torça da porta, a data de 1767. Pertenceu a um nobre «par do Reino», mas foi vendida ao senhor Joaquim de Almeida, vinte e poucos anos após a Revolução Liberal de 1820.

REMISSÃO DE FOROS

Lancei os olhos sobre  uma estante da minha biblioteca em busca de um livro e eis que, em vez dele,  se me colou às mãos “A Velha Montemurana”, um livrinho de 73 páginas, formato A5. Na capa está impressa a cores uma fotografia mostrando Outeiro, Eiriz e Mós, aninhadas na encosta sul da serra do MONTEMURO e no cabeçalho o nome Bene de Lucena Montemurano que tresanda, imediatamente a pseudónimo.

A edição é do ano 2000 e o miolo, sem lombada, comporta crónicas datadas desde 1949, assinadas por um furriel miliciano que fez a tropa na INDIA PORTUGUESA. Ele diz ter passado à disponibilidade em 1953 e, a partir daí, passou a “residir na sua terra natal, freguesia de Parada, concelho de Castro Daire”.