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quinta, 22 janeiro 2026 17:56

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - INTELIGÊNCIA HUMANA (8)

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ENCONTRO E DESENCONTRO DE DOIS GIGANTES

A forma ESQUEMÁTICA utilizada pela INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL nas respostas que deu às perguntas que lhe foram feitas relacionadas com minha pessoa e alguns dos meus trabalhos, fez-me rebuscar nos meu arquivos domésticos os CADERNOS ESCOLARES utilizados no EXTERNATO MARQUES AGOSTINHO, em L. Marques (Moçambique) e ver neles uma forma semelhante de “arrumar” a matéria em estudo.

 

caderno-2Ccaderno-1om efeito, para melhor esudo e aprendizagem, deixei em letra MANUSCRITA (não se pensava na computação, nem no digital) aquilo que hoje é um AUTÊNTICO DOCUMENTO DO TEMPO CRISTALIZADO.

Aos OITENTA E SEIS ANOS DE IDADE, pondo os olhos nestes cadernos, fico, efectivamente, surprendido com esse meu proceder no sentido de BEM ESTUDAR E APRENDER e traços vincados do meu apego ao estudo e ao saber.

Não seria o único a usar desse  método, mas ele me servia bem não só os meus propósitos, mas também de todos os colegas que, em redor de mim, noite dentro até ao encerramento dos estabalecimentos, ali se juntavam e, fazendo-me perguntas e obtendo as respostas, , já faziam de mim PROFESSOR, antes mesmo de sê-lo.

E anoto que todos os meus APONTAMENTOS MANUSCRITOS acabaram dactilografados em PAPEL DE CERA, policopiados numa rotativa escolar e vertidos em brochuras  vendidos aos colegas que solicitassem um exemplar. Foi a minha PRIMEIRA obra académica, ainda que omissa esteja no meu curriculum vitae e dela não possua qualquer exemplar.

cadermo-5caderno-6E era isso naquele espaço da COOPERATIVA AGRÍCOLA DO MALHANGALENE. E era isso na PASTELARIA ATNEIA. E era isso no CAFÉ/RESTAURANTE SAFARI. E era isso no CAFÉ/CINEMA MANUEL RODRIGUES. E era isso em todos os espaços cujos GERENTES nos acolhiam carinhosamente como clientes especiais.

Éramos TRABALHADORES-ESTUDANTES. Para, todos eles, os mencionados e outros, nunca os nossos livros  estiveram tempo demais nas  mesas dos seus estabelecometos. Chegávamos a sair desses espaços, para desentorpecer as pernas e arejar a cabeça. E os livros ficarem ali a marcar presença, esperando o nosso retorno. OUTRAS TERRAS OUTRAS GENTES, expressão que serviu de título à obra de HENRIQUE GALVÃO aue, cirandando pelas COLÓNIAS, tão bem retratou os nativos e europeus que nelas faziam vida.

E é nestas coisas de sentimentos, atitudes e emoções humanas, jamais padronizadas, nem padronizáveis, por tão individuais, subjetivas e singulares elas serem, por escaparem assim,  como viscosas enguias,  a qualquer esforço algorítmico que eu vejo, para já,  o DESENCONTRO DOS DOIS GIGANTES que convivem neste princípio do século XXI. E interagindo, embora, complementando-se reciprocamente (um milagre  técnico/humano, sem qualquer intervenção sobrenatural), diferentemente de tantos maus agoiros que me vão chegando por escrito e outiva. estou em crer que a CRIATURA jamais tomará o lugar do CRIADOR, mesmo que, seguramente,  já tenha dado provas de o ultrapassar e de lhe dar respostas rápidas, quase instantâneas, na resolução de problemas demasiadamente amplos e complexos.

Tudo coisa impensável no meu tempo de ESTUDANTE, naquele tempo de que são prova os APONTAMENTOS ESQUEMATIZAFOS nos CADERNOS ESCOLARES que, para a felicidade e INDEPENDÊNCIA dos POVOS COLONIZADOS, resistiram ao TURBILHÃO DA DESCOLONIZAÇÃO.

De todos esses amigos e companheiros de viagem estudantil, não perdi o rasto do colega PEDRO ANTUNES que, acabado o liceu, retornou à metrópole para se formar  em DIREITO na Universidade de Coimbra. Eu segui a DOCÊNCIA lá em Moçambique e cá, em Pirtugal. Ele seguiu a MAGISTRATURA, tomou assento em vários tribunais de País  e terminou a carreira jubilado na categoria de MERITÍSSIMO JUIZ DESEMBARGADOR. Ainda somos AMIGOS.

NOTA: O texto supra foi partilhado no meu myral do Facebook e, por essa via, o meu Amigo e antigo colega de liceu fez o comentário que se segue acompanhado da respetiva resposta. Assim:

Pedro Santos Gonçalves Antunes - «Grande Abílio. Já nasceste com o desígnio de Professor. Sempre rodeado de colegas que te seguiam, e aproveitavam os teus ensinamentos, e a tua força de estudar, sem demonstrares cansaço, sendo certo, que no dia seguinte, irias trabalhar. Eu lucrei muito em ter feito parte desse grupo, de 6, 7 ou mais colegas que te seguiam. De volta dos livros, até altas horas, nos locais que indicaste, sendo o mais frequentado a Cooperativa dos Criadores de Gado na Malhangalene e tbe na baixa da cidade. Eu na altura, era militar, e estava colocado na Companhia de Transmissões no Quartel de Engenharia. Pela minha parte, ficar-te-ei sempre grato. Um grande abraço e muita saúde para esta parte restante da Vida.

Abílio Pereira de Carvalho -  Ó Pedro, só tu, o MERITÍSSIMO JUIZ DESEMBARGADOR (jubilado), podias fazer um JUÍZO assim. Certeiro, autêntico, verdadeiro, de boas memórias e elos afetivos de amizade que ficaram para a vida inteira. E nós aqui estamos a comprová-lo. Ambos sabemos o que é o trabalho, esforço e vontade para se conseguir um lugar mais cómado na vida e na velhice. Aí vai o ABRAÇO com o calor do ÍNDICO, neste tempo de inverno e frio.






 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.