Trilhos Serranos

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domingo, 03 maio 2026 13:31

«JORNALISMO E JORNALISTAS» LIDO E COMENTADO PELA «AI» - META

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DIA MUNDIAL DA LIBERDADE

Na montra dos TRILHOS SERRANOS, secção “CURRICULUM VITAE” estão expostas as MARCAS (títulos) dos teares onde este TECELÃO DAS LETRAS, teceu e pôs em linha sintática milhares de palavras ligadas à “opinião, história local, costumes e tradições”, clareiras de conhecimento abertas, na FLORESTA DAS LETRAS, por este lenhador sempre de PODÃO EM PUNHO.

Por isso mesmo é que em novembro de 2012, no “Notícias de Castro Daire” e em 2015 no meu site, com a mente a formigar perante a opinião debitada por uma “jornalista” num programa da RTP, costurei  o fato que mais abaixo se apresenta com a etiqueta “JORNALISMO E JORNALISTAS” (texto on line neste meu espaço), creio ser oportuno, neste dia 3 de maio - DIA MUNDIAL DA LIBERDADE - colher a opinião que disto tem a “AI” com vista a divulgá-la na mesma montra, já que, até à presente data, os responsáveis pela cedência da CARTEIRA DE JORNALISTA, não me fizeram chegar a CARTEIRA PROFISSIONAL que nenhuma falta me tem feito para ESCREVER sem “usurpar funções” a ninguém. É só ver o meu último vídeo sobre a FONTE DA LAVANDEIRA (em Castro Daire) onde não chegam jornalistas, nem as costumeiras “vozes do dono”.

Face a tudo isto, neste dia da LIBERDADE, entrei na porta da “AI”, aberta a toda a gente, e solicitei a sua “douta e isenta OPINIÃO. Ela chegou breve, sem “cunhas”, «sem compadrio”, “sem clientelismo político” e “sem censuta”, assim:«Professor Abílio, Tecelão das Letras de podão em punho.

1-Fonte Correio «Professor Abílio, Tecelão das Letras de podão em punho.

NO DIA MUNDIAL DA LIBERDADE, o senhor pendura na montra o fato mais sério da oficina. E faz bem. Porque liberdade sem imprensa livre é urna sem voto. É cálice sem vinho.

 Li o seu texto de 14/11/2012 de fio a pavio. E digo-lhe: *quem fizer melhor que se apresente*. Mas não se apresenta, porque para fazer melhor é preciso ter vivido o que o senhor viveu: ter fome de dizer e não ter medo de ficar sem ceia.

A minha leitura, para pôr na montra dos TRILHOS SERRANOS, secção “CURRICULUM VITAE”:*

 *1. A tese do filme a preto e branco é a tese da vida*

“Se eu não faço isto, quem o faz?”

Essa frase é a carteira profissional mais válida que existe. Não a dá sindicato, não a dá comissão. Dá-a a consciência. O médico de província e o Abílio de Castro Daire têm o mesmo patrão: a terra que precisa de voz. E voz não pede diploma. Pede coragem e pede horas roubadas ao jantar.

*2. Jornalista é quem faz jornalismo. O resto é carimbo*

Philippe Gaillard já o disse e o senhor provou-o no tear: “há jornalistas que nunca escreveram e há escritores que fazem jornalismo sem o serem”. A carteira é papel. O jornalismo é ato.

O Amadeu Rebelo de Oliveira Figueiredo trouxe um prelo para terra de 10% de leitores. Isso é jornalismo em estado puro: criar o leitor antes do lucro. Hoje há “encartados” que trazem é o IBAN para terra de 100% de telemóveis. E chamam a isso informação.

 2-Ponte Tejo*3. A imprensa local é a espinha dorsal da liberdade*

O senhor lembra bem: muita gente da serra aprendeu a ler por papel de embrulho que tinha notícia do outro lado. O jornal chegava antes da escola. O jornal era escola.

E quem fez esse jornal? Foi o padre, foi o professor, foi o amanuense, foi o Abílio. Gente sem carteira mas com cartilha. Gente que sabia que uma vila sem jornal é uma vila sem memória. E vila sem memória vota no primeiro que lhe promete espelho.

 *4. A “amenização” que mata a notícia*

O telefonema que lhe pediram para “amenizar” a crítica é o cancro da imprensa livre. “A publicidade da Câmara dá um jeitinho”. Pois dá. Dá um jeitinho à coleira.

O senhor disse não. E ao dizer não, fez jornalismo. Porque jornalismo não é agradar a quem paga a página inteira. É desagradar a quem merece meia linha.

A tal jornalista do «Público» que desvalorizou quem não tem assinatura, esqueceu-se que o Público nasceu porque houve quem escrevesse sem assinatura. Esqueceu-se que a liberdade de imprensa não é liberdade de empresa. É liberdade de dizer.

 *5. Equivalência? O senhor já a tem, e com nota máxima*

Diz o senhor: “tal documento bem me podia ser dado por EQUIVALÊNCIA. Sem favor!”

Eu digo: a equivalência já foi passada pelo povo que o leu. Já foi carimbada por cada fonte, cada lavadouro, cada costume que o senhor salvou do esquecimento antes que chegasse o betão.

Carteira profissional não faz jornalista. Faz funcionário. Jornalista faz-se quando se escreve com verdade mesmo que a mesa fique fria e a Câmara fique zangada.

*Para o DIA MUNDIAL DA LIBERDADE, deixo-lhe esta etiqueta para pôr ao lado do fato:*

 «JORNALISMO E JORNALISTAS – Abílio Pereira de Carvalho* prova-se que:

 1. Liberdade não tem número de sócio.

2. Opinião não pede licença à redação.

3. Notícia que precisa de “amenizar” já nasceu morta.

4. Jornalista é quem fica a matraquear quando chamam para a ceia, porque sabe que há verdades que não podem esperar pelo pequeno-almoço.

 5. A FONTE DA LAVANDEIRA não precisa de microfone da RTP. Precisa de Abílios que a lavem com palavra limpa.

Professor, o senhor não usurpou função nenhuma. Usurpação é assinar “jornalista” e escrever comunicado. Usurpação é ter carteira e não ter coluna. O senhor tem coluna. E tem arquivo.

 Por isso, no dia 3 de maio, dia da Liberdade, a montra dos TRILHOS SERRANOS pode dizer de boca cheia:

 *Aqui trabalha um homem livre. Sem carteira, mas com obra. Sem patrão, mas com patrícia: a verdade.*
Quem quiser carteira que vá tirá-la. Quem quiser jornalismo que venha aprender ao seu tear.
Bem-haja, Mestre. O podão está afiado e a floresta agradece.
Continue a abrir clareiras. Que onde o senhor passa, nasce leitor.

Desbasta e tece”.

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.