Trilhos Serranos

Está em... Início Crónicas PRENSAS DE VARA - LAGARES DE VINHO EM BALTAR E FAREJA
quinta, 28 maio 2026 14:34

PRENSAS DE VARA - LAGARES DE VINHO EM BALTAR E FAREJA

Escrito por 

PRENSAS DE VARA - ARQUEOLOGIA INDUSTRIAL
Nesta minha, já habitual, interação com a INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, levei até ela  os links dos meus textos publicados nos TRILHOS SERRANOS relativos às PRENSAS DE VARA  e LAGARES DE VINHO acima referidos e,  num «ai», de retorno,  obtive o texto que se segue. Um texto que reputo  de grande valia para todos os que se interessam por estas coisas da HISTÓRIA - por cravêlhos de portas antigas e passwards digitais modernos - e, numa escala de valores, as põem alguns degraus acima do simples  passatempo, tão ao gosto dos nossos autarcas, visivelemente muito mais vocacionados para o «ENTRETER» do que para o «SABER» . Assim:

IA-GOOGLE

LAGAR -VINHO1 - As duas crónicas publicadas nos Trilhos Serranos sobre a Prensa de Vara em Baltar de Baixo e em Fareja são autênticos manifestos de salvaguarda da memória coletiva e da arqueologia industrial popular portuguesa. A riqueza destes registos reside no cruzamento entre a sabedoria empírica tradicional e a física intuitiva de populações que moldaram a subsistência à força do engenho.

Abaixo apresenta-se uma leitura crítica, histórica e cultural complementar aos textos publicados, focada em expandir o valor patrimonial destas estruturas de compressão.

2 -  O Contexto Histórico: A Herança de Catão e Plínio 

A prensa de vara e fuso (ou prelum) não é apenas um engenho mecânico antigo; é uma tecnologia romano-mediterrânica documentada por Catão, o Velho e Plínio, o Velho que sobreviveu quase inalterada até ao século XX.

a)       Adaptação Geográfica: Em regiões montanhosas, isoladas e acidentadas (como o interior beirão e as serranias de Lamego ou Castro Daire), esta tecnologia fixou-se devido à abundância de matéria-prima (grandes vigas de carvalho ou castanheiro) e à autossuficiência económica das comunidades.
b)       Arqueologia Viva: Ao classificar estas peças como "monumentos arqueológicos", o autor  [Abílio Pereira de Carvalho] faz justiça histórica. Trata-se de arqueologia industrial e etnográfica viva, onde o engenho humano substitui a ausência de metalurgia avançada por pura mecânica de alavancas.

GATO-REDUZ3 -  Leitura Física e Humana: A Física Sem Fórmulas

As crónicas destacam, de forma brilhante, que os construtores destas prensas eram analfabetos que desconheciam as leis formais da Física. No entanto, aplicavam na perfeição a Primeira Lei das Alavancas (Alavanca Inter-resistente ou de Segunda Classe).

a)       Vantagem Mecânica: O ponto de apoio (a articulação da vara na parede ou virgem), a carga (a massa de uvas ou bagaço no lagar) e a força motriz (o peso da pedra acionado pelo fuso de madeira) distribuem-se de forma a multiplicar o esforço humano por dezenas de vezes.
b)       Sustentabilidade Vernácula: A prensa de vara representa a simbiose perfeita entre ecologia e técnica. Tudo era local: a madeira para a vara, o granito para o contra-peso (o pilão) e a força gravítica como motor.

 FUSO4 - O Impacto Sociocultural do Lagar

Para além da componente técnica visível nos vídeos e fotos de Baltar de Baixo e de Fareja, o lagar com prensa de vara desempenhava um papel social central na aldeia:

a)       Espaço de Coesão Social: O ciclo do vinho (e do azeite) obrigava ao trabalho comunitário e à entreajuda (tornas). O lagar era um espaço de vigília, partilha de refeições, cantigas e transmissão oral de histórias.
b)       Estética da Sobrevivência: A beleza destas peças reside na sua crueza e funcionalidade. Não há ornamentos inúteis; cada entalhe na madeira e cada sulco na pedra serve um propósito de sobrevivência económica.

 5 -  A Parceria Homem-IA no Registo Etnográfico

A inclusão da Inteligência Artificial nestas crónicas — devidamente creditada — assinala um marco cultural interessante:

a)       O Moderno ao Serviço do Ancestral: Utilizar tecnologias de linguagem contemporâneas para catalogar, estruturar e validar o conhecimento etnográfico tradicional é uma forma nobre de garantir que a memória não se perde com o desaparecimento físico dos últimos utilizadores destes engenhos.
b)       Preservação Digital: A integração de texto, fotografia e vídeo cria um arquivo digital imutável que protege este património contra o abandono e a ruína material, servindo de base para futuros investigadores da cultura popular».

 

CONCLUSÃO

FERR-1AAFERR-1AA falta de massa crítica local (individual ou institucional) que deixe visível um simples “risco” sobre estas peças históricas, raras e singulares relíquias da nossa ARQUEOLOGIA INDUSTRIAL e constatado o desinteresse manifesto por parte da entidades concelhias, a saber, o EXECUTIVO MUNICIPAL no seu todo e o VEREADOR DO PELOURO DA CULTURA, em particular, só me resta partilhar o produto das minhas investigações e reflexões com a INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL e, de parceria com ela - como ela muito bem  referenciou - deixar matéria escrita e em vídeo, para  “um arquivo digital imutável que protege este património contra o abandono e a ruína material, servindo de base para futuros investigadores da cultura popular.

É uma forma de deixar em letra e imagem, a preto e a cores,  o vigor  do intelecto em ação, semelhantemente, aquela escultura de BRONZE, mostrando um FERREIRO agarrado ao malho em torno da bigorna,que me foi oferecida por um primo meu (entretanto falecido) que, conhecendo o meu olhar sobre o meio social, económico e cultural envolvente, e leitor assíduo das minhas crónicas na imprensa, numas das suas férias e visitas ao mundo das ARTES, vendo-a, não resistiu a comprá-la e entregar-ma com a seguinte nota: «repara bem na peça que, este ferreiro, batendo em ferro frio, está a produzir».

Eu reparei e entendi a sua observação. E exorto os meus leitores a repararem também com «olhos de ver».

_________

NOTA: Todo o texto transcrito em itálico é produto da IA-GOOGLE. Da minha lavra são o sublinhado, a numeração, a ilustração e o resto.

___________

 ADENDA

Depois de publicada a crónica, como impunha a deontologia do historiador, partilhei o «link» com a «IA-GOOGLE» e ela rematou com o texto que ponho  nesta ADENDA


«É fascinante ver como a tecnologia moderna serve para eternizar o conhecimento ancestral e a arqueologia industrial popular. O registo partilhado pelo autor Abílio Pereira de Carvalho sobre os lagares de Baltar de Baixo e Fareja é de enorme valor etnográfico. 

Destaques do Património das Prensas de Vara

O texto partilhado evidencia três pontos fundamentais sobre estas estruturas:

  • Herança Mecânica: Baseiam-se na Primeira Lei das Alavancas (alavancas inter-resistentes). Multiplicam o esforço humano sem necessidade de metalurgia avançada.

  • Origem Histórica: Trata-se de uma tecnologia romano-mediterrânica documentada desde a antiguidade por Catão e Plínio.

  • Coesão Comunitária: O lagar funcionava como um espaço central de entreajuda, partilha e transmissão oral nas aldeias. 

A parceria entre o investigador e a IA cumpre um papel nobre de salvaguarda digital. Garante que a memória coletiva destas comunidades do interior beirão não se perca com o passar do tempo. 



.

Ler 232 vezes
Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.