Regressado à " metrópole" depois do 25 de Abril, por força da descolonização, prossegui a minha missão de professor e os compênldios de História e Geografia desdobraram-se, agora, em Estudos Sociais e História, mas neles figuravam os mesmos mapas com as cores convencionais a marcarem a orografia, a altitude, as bacias hidrográficas, e sempre, sempre o desequilibro demográfico entre LITORAL/INTERIOR, realidade que, para o professor desatento e acrítico, se devia ao "fado" e à má sina de, logo à nascença, um transmontano, um beirão e/ou um alentejano se verem de mala aviada a caminho de Lisboa e arredores, a caminho do Porto e arrabaldes, a caminho do LITORAL, quando não a caminho da "estranja", sacrificando afectos a locais e pessoas, a fim de ganhar a vida para si e para os seus. Face a esta realidade, tão ÓBVIA E BÁSICA que ela era e é, alguns estudiosos e políticos, cientes de que o "fado" nada tinha a ver com isso, mas que tal se devia às políticas centralizadoras cozinhadas e temperadas no Terreiro do Paço ao longo dos tempos, puseram-se a fazer estudos sobre a REGIONALIZAÇÃO com vista a suster a hemorragia secular que vai desertificando e matando parte significativa do território. Produziu-se literatura política, técnica e administrativa bastante para que isso fosse levado a efeito. Pôs-se o assunto em discussão pública. Acirraram-se os ânimos entre os "prós" e os "contras". Eu, tendo presente o que era ÓBVIO nos básicos compêndios do Ciclo Preparatório, em Moçambique e em Portugal (que distância esta no tempo e no espaço!) defendi a REGIONALIZAÇÃO em artigos vários publicados na imprensa. "Aqui d'el-Rei"' barafustaram os que estavam "contra". Portugal ia ser fatiado, perdia coesão geográfica, política e social, ignorando que Portugal já fatiado estava. Mas esses mesmos que estiveram contra a REGIONALIZAÇÃO (nos moldes em que publicamente foi discutida) andam por aí agora a lamuriarem-se da perda dos Serviços de Saúde, dos Correios, das Juntas de Freguesia, dos Tribunais e coisas mais que não rimam em nada com a tomada de posição que assumiram então. E, coisa ÓBVIA E BÁSICA, as editoras dos compêndios escolares, respeitando os conteúdos programáticos oficiais, continuam a colocar no mercado livros com os mesmos mapas, as mesmas cores convencionais, os mesmos gráficos demográficos e os professores a mostrarem aos seus alunos dois Portugais, o do LITORAL e o do INTERIOR. Eles não são filhos do "Fado".
SEGUNDA PARTE
O texto supra foi publicado, pela primeira vez, em 2013, no meu MURAL DO FACEBBOK e posteriormente, em 2016, no meu site TRILHOS SERRANOS. Ora, face aos estragos materiais e humanos decorrentes da TEMPESTADE que assolou o País, neste ano de 2026, e a tardia reação do PODER CENTRAL no socorro das populações atingidas, fui repescá-lo para pedir uma LEITURA CRÍTICA `«INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL» a fim lembrar, objetivamente, a todos os interessados, quando é «TUDO BÁSICO E ÓBVIO»., quanto é necessária a REGIONALIZAÇÃO/DESCENTRALIZAÇÃO. O bold no texto que se segue é da minha lavra. Assim:
LEITURA CRÍTICA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
«O texto "REGIONALIZAÇÃO" é uma reflexão crítica sobre a importância da regionalização em Portugal, escrita de forma clara e acessível. O autor, Abílio Pereira de Carvalho, apresenta uma visão pessoal sobre a necessidade de descentralização e regionalização do país, com base na sua experiência como professor em Moçambique e em Portugal.
O texto começa com uma anedota sobre a sua experiência como professor em Moçambique, onde os alunos eram uma mistura de diferentes etnias e culturas. Ele destaca a ironia de que os compêndios escolares em Moçambique eram os mesmos usados em Portugal, sem levar em conta as realidades locais. Isso o leva a refletir sobre a importância de conhecer e valorizar as características regionais de cada parte do país.
A crítica do autor à centralização política e econômica em Portugal é contundente. Ele argumenta que a falta de regionalização leva à desertificação e ao abandono de partes significativas do território nacional. Além disso, ele destaca a hipocrisia de alguns políticos que se opõem à regionalização, mas que agora se lamentam da perda de serviços públicos em áreas rurais.
O texto é bem escrito e apresenta uma argumentação clara e convincente. A ironia e o sarcasmo são usados de forma eficaz para criticar a falta de visão e a hipocrisia de alguns políticos. A conclusão do autor de que "TUDO É TÃO BÁSICO E ÓBVIO" é uma crítica contundente à falta de ação e à falta de visão dos governantes.
No contexto atual, após a tempestade que assolou o país, o texto é ainda mais relevante. A necessidade de regionalização e descentralização é mais evidente do que nunca, e a crítica do autor à centralização política e econômica é mais pertinente do que nunca».
(Fonte «META «AI»)
CONCLUSÃO
Mais palavras para què? Sim, sim, mas haverá mais palavras. Elas não faltarão enquanto forem abundantes os erros, as inações e as omissões dos nossos políticos eleitos para o PODER CENTRAL ou para o PODER LOCAL. Exemplo: que fez o EXECUTIVO MUNICIPAL de CASTRO DAIRE para restauar o MONOGRAMA esculpido na ESFERA que remata a FONTE DOS PEIXES, que DECIFREI em crónicas e vídeos? Isto enquanto ele é LEGÍVEL tal qual foi ESCULPIDO?
NOTA: publicado no Facebook em 13 de fevereiro de 2013