Teve assim início nesse ano, de 1927, a feira mensal de Cujó. Mas foi sol de pouca dura. Ao fim de nove meses extinguiu-se. Mas os habitantes de Cujó, sabendo do jeito que lhes fazia vender os vitelos, cabritos ou reses à porta de casa, em vez de se deslocarem à feira quinzenal do «Crasto», ou outra das redondezas, persistem em relançá-la. Constituiu-se uma nova comissão, novamente encabeçada por Salvador de Carvalho, agora coadjuvado por António Alves, José Ramos e António Duarte Pereira. E se o lançamento da feira anterior teve a sua divulgação na imprensa local, a comissão, desta vez, aproveitando a experiência adquirida com os lançamentos anteriores, mandou imprimir prospetos e através deles deu publicidade ao ato, bem como dos prémios pecuniários a atribuir a todos os lavradores que à feira acorressem. A abrilhantar o lançamento estava, desta vez, a banda filarmónica de Lalim.
A comissão, por acordo prévio com a Câmara Municipal, garantiu aos feirantes que, tal como aconteceu em 1927, ficariam isentas de impostos, o que, desde logo, deu ao evento o carácter de feira franca.
Iniciada, essencialmente, para a comercialização de gados, a febre aftosa e a peste suína africana, bem como a consequente legislação proibitiva da circulação de animais no país, veio a terminar com esse tipo de negócio. Mas era tarde para a feira acabar. A estrada, as mudanças sociais, e os novos hábitos de consumo da população, conduziram a Cujó «vendedores ambulantes» com de roupas, chapéus, louças e tudo o mais que ali se vai vendendo e comprando, mês após mês, ano após ano.
Neste princípio do século XXI, quando retrocedo ao ano de 1927, eu que nasci em 1939, e vejo estes esforçados homens de Cujó, entre os quais o meu pai Salvador de Carvalho, nos tempos de estreitas veredas de comunicação e de cultura, a lutarem, com todas as dificuldades próprias da época, para que a sua terra natal fosse posta no mapa das feiras mensais do concelho e no mapa administrativo, como freguesia independente de S. Joaninho, pergunto-me o que mais posso fazer, em sua memória, do que reconhecer-lhes, na web, o quanto eles deram de si em benefício dos interesses coletivos da aldeia, do protagonismo que assumiram na História Local. De outros que, tal como hoje, se importaram e importam somente com a «sua vidinha» não reza a História.
Nota: este texto foi transcrito do meu velho site, onde permanece há anos, para este novo site, hoje mesmo.