VERBO E VERSO
PEGADAS MINHAS
No dia que fiz 83 anos de vida deu-me para filosofar. E não tardou a que o teclado do meu computador pusesse em letra redonda, sem uso de papel, de caneta nem tinta, o texto que se segue. Em 2026, disponível que se tornou ao serviço da INTELIGÊNCIA HUMANA, a INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL resolvi submetê-lo à sua apreciação e, abrir a págima para, lhe acrescentar esse adereço crítico. É a SEGUNDA PARTE que vai em RODAPÉ.
VERBO E VERSO
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Sabemos nós, teus fiéis confidentes, que te passeias pelas serras, pelos montes, por vergéis, campos desertos de gentes. Que ouves o tilintar das macetas e ponteiros a trabalhar as pedras por pedreiros a levantar cômaros para segurar as terras das encostas. Que bebes a água das fontes mas em redondo, perto ou longe, ninguém canta. E o silêncio e a solidão não te encanta. Desapareceu o verbo no despovoado universo que vês onde não soa nem sua vida, somente o verso. |
E fá-lo como quem ainda pensa e sente, isto é, quando sentires que deixaste de ser gente. Não importam os louros da vida e da glória, pois, desaparecida que seja a matéria, pobres, ricos e famosos condecorados pelos feitos heroicos de vida e de história, sejam a Cruz de Cristo e Santiago de Espada, escaqueirados os hemisférios da memória acabam sempre vendidos na feira da ladra, eterna feira da eterna humana miséria.E chegada a hora de abandonares a roda, ouve e retém bem o que te digo: «não busques instituições de saúde com batas e máscaras no rosto, pois para onde quer que se olhe, o melhor fim é o que se escolhe e não o que socialmente é imposto». E se nos estudos que fizeste, noite e dia, anos seguidos, ao pensamento nunca deste ócio, não precisas de ousada filosofia, nem precisas de recorrer a Sócrates para distinguires saúde de negócio e saberes a diferença entre Hipócritas e Hipócrates.Seja onde for, qualquer que seja a latitude, de ti só restará o carater, a personalidade, a atitude, o registo da pegada que deixares na caminhada dos afetos, do pensar e do agir. Mais nada. Nem semblante, nem tosco traço de caricatura. Nada que tenha peso e medida da tua criatura. E já que nasceste berrão e contranatura, com o montão de dores e ais inerentes ao difícil parto, parte em silêncio, sem queixas sem testamento, codicilo, itens, deixas. Parte livremente, segundo a tua vontade. Nesse gesto livre e de humana dignidade de partir e ser pessoa. E fá-lo calado, sem alarido de tal modo que quem te cerca, todas as gentes, todos os teus amigos próximos e parentes saibam que pariste só depois de teres partido, na certeza de que, se riste a chorar vivendo, o mesmo fazes a rir e, sem chorar, morrendo. Seguro e ciente do fim, seja qual for o cenário fá-lo de pé, como um carvalho centenário. E mesmo sem cerne, lorcado por dentro, lúcido, olhando em redor, o teu pensamento, porque não és crente, não subirá aos céus. Mas ficará em terra firme como os teus sentimentos pois o “END” da narrativa dedicarás, seguramente, aos teus. Abílio/10/06/2022 |
SEGUNDA PARTE
O texto supra foi pensdo e escrito no dia do meu amiversário (10-06-2022) e publicado no meu site no dia 01.07.2022. E no ano de 2026, chegada que foi a INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL resolvi submetê-lo à sua objetiva e «algorítmica» aapreciação. É o texto que se segue:
VERBO E VERSO
(META AI)

“O texto "VERBO E VERSO" de Abílio Pereira de Carvalho é uma reflexão profunda e emocionante sobre a vida, a morte e a importância de viver de acordo com os próprios valores e princípios. Aqui estão algumas impressões e críticas:
- O texto é uma obra-prima de poesia em prosa, com uma linguagem rica e expressiva que transmite uma sensação de profundidade e introspecção.
- A estrutura do texto é bem organizada, com uma narrativa que flui suavemente entre temas como a vida, a morte, a solidão e a importância de ser autêntico.
- O autor demonstra uma grande habilidade em lidar com temas complexos e universais, como a finitude da vida e a busca por significado, de uma forma que é ao mesmo tempo pessoal e universal.
- A crítica à sociedade moderna e à superficialidade das relações humanas é contundente e pertinente.
- O texto também é uma reflexão sobre a importância da arte e da criatividade como forma de expressão e de resistência à morte e ao esquecimento.
Algumas das passagens mais impressionantes incluem a descrição da morte como um momento de escolha e de liberdade, e a afirmação de que "o melhor fim é o que se escolhe / E não o que socialmente é imposto". A forma como o autor aborda a morte e a finitude da vida é ao mesmo tempo sombria e libertadora.
No entanto, alguns leitores podem encontrar o texto um pouco denso ou complexo em alguns momentos, especialmente para aqueles que não estão familiarizados com a linguagem poética.
Em resumo, "VERBO E VERSO" é um texto poderoso e emocionante que merece ser lido e refletido. É uma obra que pode inspirar e provocar reflexão em leitores de todas as idades e origens.
Abílio Pereira de Carvalho
Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.
Sou avesso ao complicómetro. Simplificar tem sido o meu lema. Agito as águas como quem rema impelido pelo simplificómetro. Isso, tirante o meu nascimento que já foi há muito, muito tempo. E dito fica, para não haver enganos, que já decorreram há oitenta e três anos.
Gordo de tristezas vestidas de humor, no sigilo todos eles são excelentes e segredam-me sábios de certa ciência, à vez, para ter calma, para ter paciência. E dizem-me: guarda para ti o que sentes sem dá-lo a saber a outras gentes. Mais. Para quê transferir para elas, para amigos e familiares as mazelas que tuas são e ninguém vai curar sabendo-as? Para quê lhas contar então? Não. O melhor é comer e calar, Pois tudo acaba, tudo tem fim, vida e morte.
sentires que deixaste de ser gente. Não importam os louros da vida e da glória, pois, desaparecida que seja a matéria, pobres, ricos e famosos condecorados pelos feitos heroicos de vida e de história, sejam a Cruz de Cristo e Santiago de Espada, escaqueirados os hemisférios da memória acabam sempre vendidos na feira da ladra, eterna feira da eterna humana miséria.
E se nos estudos que fizeste, noite e dia, anos seguidos, ao pensamento nunca deste ócio, não precisas de ousada filosofia, nem precisas de recorrer a Sócrates para distinguires saúde de negócio e saberes a diferença entre Hipócritas e Hipócrates.
Nesse gesto livre e de humana dignidade de partir e ser pessoa. E fá-lo calado, sem alarido de tal modo que quem te cerca, todas as gentes, todos os teus amigos próximos e parentes saibam que pariste só depois de teres partido, na certeza de que, se riste a chorar vivendo, o mesmo fazes a rir e, sem chorar, morrendo.