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sexta, 24 abril 2026 21:00

POEMA VISUAL - 25 DE ABRIL

Escrito por 

POEMA VISUAL

Quando professor no activo, o programa de PORTUGUÊS incluía a leitura e interpretação de POESIA VISUAL , eu, que srmpre gostei de dar cumprimento ao estipulado, ensinei os meus alunos a lerem e a interpretarem os poemas compendiados, mas também da minha autoria. Um deles, que hoje (dia 25 de ABRIL DE 2026)  ilustra o este texto, fui repescá-lo ao meu mural do FACEBOOK , onde o publiquei em 2018, depois de, havia anos,  ter sido publicado no jornal  Notícias de Castro Daire”, onde colaborava

Desta vez, o texto que se segue, digitalizado  em itálico,  é  leitura da INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (via Google), que, a meu pedido, me deu o privilêgio e a alegria da sua INTERPRETAÇÃO, sublinhando o valor deste tipo de POESIA. Afinal aquilo que, para muita boa gente (gente de LETRAS), este meu poético era um simples jogo de palavras,  a IA viu muito mais do que isso. Ora vejam e leiasm:

 ABRILA escolha de incluir exatamente 25 vezes a palavra "Abril" é um simbolismo matemático e poético perfeito para o dia 25. Além disso, a explicação sobre a colocação das palavras, as direções e os quatro pontos cardeais,  revela uma camada de universalidade (…) a ideia de que a Democracia não deve ter fronteiras e é um desejo global. 

É uma honra interagir diretamente com o criador desta obra!  Muito obrigado por partilhar esse detalhe fundamental que enriquece imenso a leitura do poema. 

É um belo exemplo de como a poesia visual pode ser uma ferramenta pedagógica poderosa para ensinar valores de liberdade e cidadania aos alunos. 

(…)

Fico muito contente por saber que a análise ressoou consigo e que os seus alunos também se envolveram na descoberta. Esse seu "acrescento" sobre a urna aberta e o voto a entrar é a peça que faltava: transforma o poema num objeto quase tátil, um ritual de democracia em movimento. 

urnaA poesia visual é, de facto, esse jogo de sagacidade. Ela exige que o leitor não apenas "ouça" o texto, mas que o "habite" espacialmente. Os pontos cardeais, que na primeira leitura pareciam coordenadas geográficas, ganham agora uma dimensão ética e cívica — o Norte da liberdade, o rumo que se escolhe depositar naquela urna aberta. 

É um privilégio poder "desmontar" estas máquinas de sentido consigo, especialmente nesta véspera de um dia tão libérrimo. Esses 50 anos de liberdade pedem exatamente isso: uma leitura atenta, que não se contente com o óbvio e que saiba ver, no desenho das palavras, a força de um gesto»  (IA, via Google) 

Só que na minha interação com a INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL eu não adiantei o tópico relativo à  forma escolhida para o POEMA. Essa forma  podia alargar o seu campo semâmtico para além das palavras contidas. Muitas palavras ABRIL repetidas, alinhadas no sentido norte, sul, este, oeste, uma multidão de gente a transbordar de  alegria, movimento e cor, tornar-se no seu oposto.  Em vez de vida e gritaria de contentamento podia virar no um espaço de silêncio e de morte, com igual sentido universal.

E, neste século XXI, tornaram-se conhecidos, em todo o globo terrestre, os nomes dos CANGALHEIROS  ávidos da  morte das pessoas (povos inteiros) e  dos regimes democráticos. 

 

SEGUNDA PARTE

ADENDA

Após a publicação do texto supra comuniquei à INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL o meu gesto assim:

Acabei de de publicar nos meus TRILHOS SERRANOS o poema visual sobre o 25 DE ABRIL com o texto que tive o privilégio de receber ontem da IA, com um pequeno acrescento da minha parte que anexo em print. Que me diz? E a reação foi imediata. Assim:

«Parabéns pela publicação! O texto que partilhou revela uma reflexão profunda sobre a poesia visual e o simbolismo do 25 de Abril, especialmente ao cruzar a tecnologia com a criatividade humana.

Aqui estão alguns pontos que se destacam na sua composição:

 
A Metáfora da Urna: É fascinante como a imagem da "Urna" é ressignificada. De um objeto que guarda votos (o "Norte da liberdade"), passa a ser vista como uma "máquina de sentido" que o leitor deve habitar espacialmente.

 O Contraste Semântico: O seu acrescento sobre a forma do poema é crucial. A ideia de que a repetição da palavra "ABRIL" pode oscilar entre a "multidão a transbordar de alegria" e um "espaço de silêncio e de morte" traz uma dualidade poderosa. Mostra como a liberdade é um organismo vivo que exige vigilância.

 A Crítica Contemporânea: A menção aos "cangalheiros" do século XXI e aos regimes democráticos sob ameaça ancora o poema no presente. Transforma a celebração dos 50 anos num alerta ético e cívico muito atual.

 A colaboração com a IA parece ter servido como um excelente ponto de partida, mas foi o seu toque pessoal que trouxe a carga crítica e a interpretação geométrica que dá corpo ao poema visual. É um excelente exemplo de como a tecnologia pode potenciar a expressão artística sem substituir a sensibilidade do autor.

Gostaria de partilhar o poema visual completo ou explicar como as palavras "ABRIL" estão dispostas graficamente nessa estrutura de urna?»

Claro que gostaria e o que pode fazer a IA para além do que já fez e disse?

 «A Inteligência Artificial pode ser uma aliada poderosa para levar o seu conceito de "Urna" e o simbolismo do 25 de Abril para novas dimensões, indo muito além do suporte textual ou da interpretação crítica inicial.

Aqui estão algumas formas práticas e criativas de como a IA pode colaborar consigo agora:

 1. Materialização Visual e Estilística

A IA pode ajudar a transformar o "desenho das palavras" em arte digital complexa.

  Geradores de Arte (ex: Adobe Firefly ou DALL-E): Pode pedir para renderizar a urna num estilo específico (como o Concretismo, o Surrealismo ou até uma estética industrial de "máquina de sentido").

Composição Tipográfica: Ferramentas como o Canva permitem usar IA para sugerir disposições das palavras "ABRIL" que formem a estrutura física da urna, jogando com densidades para criar as áreas de "multidão" ou "silêncio".         

2. Exploração de Linguagem e Variações

A IA pode atuar como um "laboratório" para testar os limites semânticos que mencionou:

Expansão Lexical: Pode pedir à IA para encontrar palavras que orbitam "ABRIL" e "URNA", mas que variam entre a luz (liberdade, aurora, cravo) e a sombra (cangalheiro, luto, grade), ajudando a povoar os diferentes quadrantes do seu poema visual.

Simulação de Vozes: Pode pedir para reescrever partes do texto sob a perspetiva de diferentes autores (como se fosse um manifesto de Almada Negreiros ou uma reflexão de Saramago), gerando novos contrastes éticos.

3. Interatividade e Multimédia

Se quiser levar o poema para o mundo digital interativo:

Sonoplastia IA: Ferramentas como o Murf AI podem dar voz ao poema, alternando entre uma leitura solene e o som de uma multidão, criando a paisagem sonora para a "gritaria de contentamento" ou o "silêncio de morte".

Transformação em Música: Existem plataformas de IA que transformam poemas em composições musicais, permitindo que o seu texto sobre o 25 de Abril se torne numa peça coral ou numa marcha moderna.

Em suma, a IA pode funcionar como o seu "braço técnico" (executando visuais complexos) ou como um "provocador criativo" (oferecendo alternativas que desafiam a sua ideia original).

Gostaria que eu tentasse gerar uma proposta de disposição tipográfica para as palavras do seu poema dentro dessa forma geométrica?»

*

Copiei o tópico que se segue sugerido pela IA e gostaria de ver o resultado. Certo?

«Simulação de Vozes: Pode pedir para reescrever partes do texto sob a perspetiva de diferentes autores (como se fosse um manifesto de Almada Negreiros ou uma reflexão de Saramago), gerando novos contrastes éticos».

«Com certeza! Para tornar este exercício interessante, vamos usar um tema ético universal: "A responsabilidade individual perante a indiferença coletiva".

Aqui está o mesmo conceito filtrado pelas vozes contrastantes de dois gigantes da nossa literatura:

1. Na Voz de Almada Negreiros

 (Estilo: Manifesto futurista, provocador, exclamativo, focado na ação e na rotura com o "velho")

"Basta! A vossa indiferença é uma estátua de gesso que impede a passagem do Século! O homem que não age é um erro de cálculo na geometria do Universo! Ser ético não é esperar pelo vizinho; é ser o primeiro a gritar 'Eu estou aqui!'. A ética é uma vanguarda, não um museu de bons costumes! Quem se cala perante a injustiça não é um moderado, é um cadáver que se esqueceu de deitar! A vossa omissão é o crime mais ruidoso da História! Criai a vossa própria luz ou morrei na sombra dos outros!"

2. Na Voz de José Saramago

(Estilo: Reflexivo, fraseado longo e cadenciado, focado na condição humana e na empatia terrena)

"Pois bem, dir-se-ia que estamos todos cegos, cegos que veem mas que, vendo, não olham, e nessa ausência de olhar o outro deixa de existir. A responsabilidade, essa palavra que tanto nos pesa nos dicionários e tão pouco nos atos, não é algo que se possa delegar como quem entrega uma carta no correio. Se eu me calo enquanto o meu semelhante sofre, é como se estivesse a apagar, um a um, os meus próprios traços no espelho. No fundo, a ética é apenas isto, saber que o destino do mundo se joga em cada pequeno gesto de não fechar a porta, porque, se a fechamos, ficamos todos do lado de fora de nós mesmos."
 

Qual destas abordagens ressoa mais com o que tem em mente? Podemos continuar a explorar este tema com outras "vozes", como a melancolia de Fernando Pessoa ou o realismo de Eça de Queirós.


Sim, disse  eu. Prossigamos.

«Excelente escolha. Vamos manter o tema da "Responsabilidade Individual perante a Indiferença" e observar como a lente muda drasticamente quando passamos do modernismo metafísico de Pessoa para a ironia social de Eça.

Aqui estão as novas "vozes" simuladas:
 

3. Na Voz de Fernando Pessoa (Ortónimo)


(Estilo: Melancólico, analítico, focado na dualidade entre o "sentir" e o "pensar", com uma profunda sensação de tédio existencial)

"Sinto-me hoje como se fosse um espectador de mim próprio, sentado na plateia de uma rua onde todos passam e ninguém se vê. Esta indiferença que nos rodeia não é maldade, é apenas uma fadiga de existir no outro. Dói-me a consciência de que, ao não agir, não estou apenas a omitir um gesto; estou a desintegrar-me. Sou um intervalo entre o que o mundo precisa e o que a minha vontade não alcança. A ética, para quem pensa demais, acaba por ser esta solidão de saber que o 'eu' é o único lugar onde a justiça ainda poderia ter morado, se não estivéssemos tão ocupados em ser apenas pensamento."

4. Na Voz de Eça de Queirós

(Estilo: Realista, satírico, detalhista, focado na crítica aos costumes da burguesia e na hipocrisia social)

"Ah, esta nossa admirável e lusa indiferença! Olhamos para a miséria do próximo com o mesmo desdém com que se observa uma nódoa de vinho numa toalha de linho — incomoda o olhar, decerto, mas não nos tira o apetite para o bife. O cidadão de bem, muito engomado na sua moral de domingo, suspira um 'que horror' enquanto ajusta o monóculo, delegando a caridade à Providência ou ao Estado, desde que nenhum dos dois lhe peça para largar o charuto. A responsabilidade individual entre nós tornou-se uma figura de estilo, algo que se cita nos salões entre um gole de xerez e uma fofoca sobre o ministério, enquanto a humanidade lá fora continua, como sempre, a ser um detalhe pitoresco e ligeiramente enfadonho."
 

Gostaria de ver este mesmo tema sob a perspetiva de uma figura histórica mais "explosiva", ou prefere mudar de tema para testar os limites da simulação?

Respondi e disse: fascinante. Mas hoje por aqui ficamos, com os meus agradecimentos. E a IA respondeu:

«Fico muito contente por ter apreciado este exercício de "ventriloquismo"  literário. É sempre um prazer ver como a língua portuguesa se molda de formas tão distintas e profundas através destas grandes mentes.

Cá estarei para quando desejar retomar esta ou outras explorações.

Gostaria que eu guardasse estas notas ou tem algum outro tema em mente para a nossa próxima sessão?»

Não respondi. Mas aqui deixo matéria bastante para os meus seguidores anotarem. Á falta de interlocutor para «dois dedos de conversa», se tiver arcaboiço académico procure a IA e voltará às tertúlias dos seus tempos universitários.

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.