No jornal “LAMEGO HOJE” escrevi sobre cerimónia similar que ainda hoje se faz em Lazarim, com a diferença de lá usarem MÁSCARAS e em CUJÓ e aldeias em redondo, não.
Também escrevi sobre a PARTILHA DO BURRO que se fazia em S. Joaninho com a fotografia de um natural da terra que trabalhava na ESCOLA SE UNDÁRIA e lá me conduziu para exemplificar, em cima do penedo que servia de palco. Disso tirei e publiquei foto. Aí, tal como em Vila Boa (MÕES) o caso passava-se noite e o “declamador” usava um funil dos grandes ou uma cabaça seca e oca para amplificar e distorcer a voz.
Afinal, então. o que eram as MANDAS, AS DEIXAS, OS TESTAMENTOS , A LEITURA DOS CABAÇOS e/ou a PARTILHA DO BURRO?
Era uma cerimónia popular que tinha lugar nas nossas aldeias por altura do CARNAVAL e nela se procedia à LEITURA DE UM TEXTO semelhante ao que hoje aqui apresento, que me foi fornecido pelo meu amigo “ZÉ BRANCO”, da Relva, Monteiras, falecido pouco tempo depois de me ter confiado esta peça singular de CULTURA POPULAR “lida” no dia 4 de fevereiro de 1940.
Texto poético, escrito numa caligrafia “sceitável, mas numa “rima” esgalhada a podão, deixo aqui uma página e algumas “rimas”. Quando os seguidores desta página traduzirem as restantes, eu prometo que deixarei mais destinada ao ARQUIVO CULTURAL do concelho, com vista a que, no futuro se saiba que, mesmo não escrevendo “escorreitamente” as ideias e os gestos se prestavam ao “entretenimento ” e “gozo” da populaça. E não dispensava o “sinhôre doutöre delegado”, questionando a sua demora «donde se vem pra tanto ter demorado» .
Creio ser um bom exemplo «linguístico» para aqueles que no torneio do NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO se batem pela vigência do VELHO ACORDO, ignorando, ou fingindo ignorar, que a LÍNGUA, ferramenta de comunicação que é, antes de ser «ESCRITA» foi «FALADA» e, nesse estado e condição, a FONÉTICA levava a melhor à ETIMOLOGIA. E, nestas condições, em 1940, o «bem falante» e «mal escrevente» procedia ao «testamento», às «deixas» e entretinha toda a gente.
Vejam bem!
Biba sinhôre doutore delegado
De donde se vem pra tanto ter demorado.
Bibão meus sinhas...
